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     Rock vira curso superior em universidade gaúcha
 
  Rock vira curso superior em universidade gaúcha
 

DIÓGENES MUNIZ RICARDO PIERI
da Folha Online

Em um filme de 2003, o ator norte-americano Jack Black ministrou aulas de rock'n'roll a uma turma primária. A idéia meio absurda que levou Richard Linklater a filmar "Escola do Rock" (School of Rock) ganhou contornos na Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), no Rio Grande do Sul.

No filme "Escola do Rock", Jack Black interpretou um professor de rock'n'roll

Em março de 2007, uma sala com cerca de 40 alunos inaugura o ano letivo de Formação de Músicos e Produtores de Rock. Dois anos e seis meses depois estará graduada a primeira turma de roqueiros por formação acadêmica do Brasil. As inscrições para o vestibular da Unisinos estão abertas até 29 de novembro e podem ser feitas apenas pela internet. O site da universidade diz que "as provas vão rolar no dia 2 de dezembro".

Para o idealizador e futuro coordenador do curso, o roqueiro gaúcho Frank Jorge, 40, (ex-Cascavelletes, ex-Graforréia Xilarmônica, ex-Cowboys Espirituais) a proposta não é enquadrar o rock, nem banalizar a academia. "Acho que não tem possibilidade do curso parecer careta. Não queremos enquadrar o rock", diz. Formado em Letras, ele também pretende dar aula de História do Rock.

A graduação, que não possui registro no MEC, será dividida em quatro módulos: "Construção de referências musicais", "Identidade musical e elaboração de repertório", "Produção musical" e "Preparação da carreira". Os alunos terão aulas como Direito autoral, Desenvolvimento da carreira musical e Laboratório de rock --este último em parceria com estúdios. O curso ainda vai compartilhar 20% de seu currículo com outras salas da Unisinos, como de Antropologia e Ética. Divulgação

Roqueiro gaúcho Frank Jorge, 40, será coordenador na Unisinos

O incentivo para Jorge pensar na graduação veio em maio deste ano, de uma provocação do poeta Fabricio Carpinejar, coordenador de Formação de Escritores e Agentes Literários na Unisinos. "Ele lembrou que a universidade não tinha curso de música", diz.

O roqueiro gaúcho pensou então em uma graduação que gostaria de ter feito há 20 anos atrás, quando começava sua trajetória musical. "No início, pareceu um negócio meio maluco. Mas não estou preocupado em formar grandes expoentes do rock nacional, mas pessoas que vão adquirir conteúdo. O cara vai ter que entender, por exemplo, da tropicália e seu rompimento de barreiras."

Segundo Jorge, é preconceituoso apontar que o curso reforça a espetacularização da academia. "Já me disseram que rock se aprende na Pompéia, não na universidade, mas chega a ser preconceituoso alguém imaginar que ele não possa ser estudo seriamente, com profundidade. Também não há porque aliar a idéia de academia com algo chato."

Outra questão que intriga é a da disciplina. Afinal, na escola do rock "há de ser tudo da lei"? Para quem pensa em alunos embriagados, fumando na sala de aula e professores quebrando instrumentos em cima da mesa, Jorge dá um alerta. "Quem se inscreveu no vestibular vai se dedicar, vai ter que estudar. Nisso, não difere de outro curso."